Zemarx
Perfil Criativo
ZÉMARX E SEU SOM DJAVANIANO EM COMPOSIÇÕES QUE VALORIZAM PESSOAS E LUGARES
José Marques de Sousa Filho, é, desde os tempos de estudante na Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal do Piauí (UFPI) um artista chamado Zé Marques, com sua voz percorrendo ouvidos com timbre “djavaniano”, que agora se assina ZéMarx e pretende mudar o nome para Zé Barrão. O que poucos sabem é que desde cedo, quando contava uns 11 anos, por volta de 1976, lá estava a mãe dele cantarolando as letras difíceis do compositor alagoano. Naquele ano, quase 50 anos atrás, Djavan fez seu álbum de estreia e nele havia canções como “Flor de lis” e “Fato consumado”.
O fato que se consumaria na vida de ZéMarx era seu começo pela música com a voz da mãe abrindo-lhe os caminhos que se fariam mais precisos quando, em 1983, tomando um violão por empréstimo, de meio-dia às duas da tarde, o compositor dedilhava as cordas para sozinho ir aprendendo. E sempre tendo Djavan como um inspirador.
É direto e reto quanto a nisso: Djavan foi o primeiro e o principal influenciador de sua arte musical, a ponto de ter gravado em 2002, o CD “ZéMarx canta Djavan”, trabalho precedido por “A cor mais pura”, de 1995, e Coração vilão”, de 1997.
O músico tem ainda o jazz como uma base para todas as demais trilhas que seguiu, o que inclui a música dos Beatles e outras bandas de rock, mas também tem Roberto Carlos, que aprendeu a ouvir com mais acuidade pelos conselhos de Geraldo Brito. Outro amigo, Hélio Paiva, o levou a escutar a musicalidade nordestina e trilhou os caminhos musicais de Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, Elomar e outros. O blues, a música sertaneja de Roberta Miranda, o reggae e tudo o mais que pudesse ouvir também concorreram para sua formação.
O processo de composição em ZéMarx (Zé Barrão) vai para além da inspiração de compositores que admira e ritmos que aprecia. “Eu acho que a música que eu faço brota de uma vivência, de uma realidade. Toda a minha composição é assim, nasce na experiência de viver”, diz ao definir também a territorialidade como um desses pontos de vivência para a composição. E isso fica evidente em uma das mais recentes composições dele, “Boca da noite”, cujos versos iniciais tratam de um lugar icônico na cultura de Teresina, a praça Pedro II: “Beijei a boca da noite na praça Pedro II/Eram seis horas da tarde, hora mais louca do mundo/Todas as noites são loucas, me disse um vagabundo”.
Na pegada da territorialidade ele lembra que o Piauí foi Estado que escolheu para viver “Então, quando faço música falando de Teresina, da praça Pedro II, que é um coração cultural dentro de mim, essa é uma maneira que tenho de demonstrar meu amor pela cidade, pelo Piauí, pelas pessoas. Isso faz com que Teresina seja para mim o lugar mais importante do mundo, mais essencial ao meu trabalho. Então a minha música é parte do que vivo na cidade que em que moro”, afirma o compositor, que também faz música de e para as pessoas. Assim, surgiram canções para sua a avó, para Dolores, João Alfredo, João Cláudio, Firmino Filho, para o filho.
A realidade sólida e fática que guiam a música de ZéMarx/Zé Barrão pode não combinar com um mundo cada vez mais ligado à tecnologia do conhecimento, guiado por inteligência, mas o compositor cometeu uma recente ousadia: usou inteligência artificial para a finalização de uma canção, o bem dançante reggae “Torquato Neto, o Anjo Torto”.
Se ele descreve não haver limites para o uso de ritmos para sua música, porque haveria no uso de uma tecnologia? Não há. E assim, aceitou o conselho de um amigo que propôs a ele submeter a canção sobre Torquato a uma inteligência artificial para obter a uma linha melódica que desejava, com uma batida de reggae dos anos 1970 e daí obteve três versões. Trabalhou em uma delas, fez como um marceneiro de canções que usar formão para um desbaste e gravou “Torquato Neto, o anjo torto”.
A letra da canção parece dizer muito do que é ZéMarx/Zé Barrão: um músico que busca atender a si mesmo: “fica difícil entender essa história, pois essa história pode estar na contramão, pois todo louco é um exército, meu irmão”.
Músicas
Composições Inéditas