Zé Quaresma

Zé Quaresma

Perfil Criativo

JOSÉ QUARESMA, UM ARTISTA SEM PRAZO DE VALIDADE

José Quaresma Campos Filho é definido em texto da revista acadêmica Humanares, da Universidade Estadual do Piauí, como músico, compositor, artista plástico, publicitário, colorista, diretor e roteirista, também formado em Letras, o que faz dele, segundo a publicação, um multiartista no campo da literatura (composições e roteiro), da pintura, das artes plásticas, desenho, arte gráfica e do audiovisual.

O público, contudo, vai lembrar de Quaresma como o líder da banda pop de maior sucesso no Piauí, a Validuaté, nome surgido meio por acaso quando os componentes buscavam escolher uma denominação para o grupo e, diante de um pacote de bolachas, o “válido até…” da embalagem plástica veio a ser o nome escolhido.

Se o pacote de biscoito tem data de validade, a arte musical de Quaresma tem duração indefinida, tendo começado na infância, quando em União, onde nasceu, brincava de palco ao imitar os cantores mirins que se apresentavam em programas de auditório em rede nacional. Na adolescência já compunha e formou a primeira banda, Papel di Parede (assim mesmo, com i na preposição), que tocava um som autoral, mas fazia mais covers de música popular brasileira.

Foi essa banda que se transformou na Validuaté, em 2004, numa das três participações de Quaresma e sua galera no Festival de Música Chapada do Corisco – uma iniciativa da Prefeitura de Teresina muito relevadora do cenário pop-rock em que o cantor e compositor brilharia nos anos consecutivos.

O rock foi naturalmente o ambiente musical em que Quaresma se fez músico, cantor compositor. Em mais de 20 anos de carreira, o rock serviu de base para a criação de uma obra autoral de música brasileira, uma característica destacada não somente dele, mas dos parceiros da Validuaté, sempre experimentando e justapondo gêneros musicais.

Nesse experimentalismo em que os gêneros se justapõem e claramente se misturam, Quaresma se descreve como um compositor mais ligado à melodia, que grava melodias sem letras, colocando-as em nuvem, como quem anota num caderno para um dia botar letra. Esse guardar melódico é um acervo de uns dez anos, o que garante a Quaresma uma matéria-prima musical para o futuro, praticamente uma poupança de melodias.

Daí que sua relação nas parcerias que teve quase sempre foi colaborando com a melodia. Foi assim com Salgado Maranhão, Thiago E e Glauco Luz, só para ficar em três compositores que lidam de modo desafiador com as palavras. David Scooby e Zeu Brito também foram parceiros dele, mas foi com Thiago E a sua parceria musical mais produtiva, até pelo fato de terem sido companheiros de banda Validuaté entre 2004 e 2016. No álbum “Pelos pátios partidos em festa”, de 14 músicas, cinco são de autoria dos dois.

Se ele tem melodias guardadas ou que surgem no processo criativo de uma composição, é muito razoável que os temas das composições sejam variados, mas no geral ele diz ter gosto por cantar situações imaginárias de relacionamentos amorosos, “do fascínio do primeiro contato ao chão gelado do abandono”. Tudo vira material de onde se faz o nascimento de uma canção. E 99% de tudo ficção, mas 100% de tudo o que surge é música. Música de verdade surgida do fluido tecido inexistente da ficção.

Música pode surgir desse nada ficcional, mas não emerge do nada porque tem inspirações e influências e no caso de Quaresma decorre de uma constante observação da música feita no Brasil. Entre os tantos compositores desse universo gigantesco e rico, emergem como inspiradores mais proeminentes na carreira de Quaresma dois nomes que para quem trava conhecimento com obra dele são a sua cara:  Zeca Baleiro e Chico César, artistas ousados e inovadores. Só que a influência e o gostar direcionado ao maranhense e ao paraibano não impedem o compositor de manter um gosto por todo o resto, por clássicos, por novidades, por descobrir algo novo numa canção antiga e de se notar fazendo coisa inovadora a partir dessa acuidade em ouvir tudo, fazendo do palheiro musical um lugar para encontra agulhas preciosas perdidas.

Esse processo certamente é bem produtivo porque no álbum em que estão cinco das mais populares canções gravadas pelo Validuaté (“Alegria Girar”, de 2009) todas as composições levam assinatura de José Quaresma – uma recorrência em seus álbuns, nos quais sempre também estão as criativas digitais de Thiago E.

As inspirações, os projetos, o êxito de uma banda de Teresina que ganhou espaço num mercado musical muito disputado seguem animando José Quaresma, que considera a Validuaté como o seu lugar de maior realização musical, artística, profissional e pessoal. Foi por conta da música, da Validuaté, que outras portas se abriram para uma atuação artística mais ampla, no audiovisual, que incluiu a produção de músicas, clipes, DVDs, novas parcerias, até ao ponto de ele ter dirigido o primeiro longa-metragem, em 2024 e que deve ir ao cinema em 2026, confirmando o que disse a revista da Universidade Estadual do Piauí: José Quaresma Campos Filho é um multiartista.

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