Teófilo Lima

Teófilo Lima

Perfil Criativo

COM FUSÃO DE GÊNEROS, TEÓFILO LIMA SEGUE A TRILHA DO ROCK

Teófilo Lima tinha 20 anos, em 1990, quando resolveu criar a banda Rabiscos Urbanos, em Parnaiba, a cidade que o viu crescer e da qual alçou voo para o mundo, ainda que as raízes lhe tenham fixado à terra piauiense para produzir suas canções e buscar sempre lançar luzes sobre outras pessoas talentosas, o que fez no programa de TV “Piauizando”.

O cantor e compositor, que despertou atenção e afeto do pessoal de sua geração, dos que vieram antes e de quem veio depois de ele se firmar no universo musical, fez por merecer o reconhecimento e o aplauso ao seu talento.

Nasceu para a música no rock, ouvindo o pai que todos os dias compartilhava com ele seu gosto musical, que ele foi refinando ao longo do tempo. Porém, foi para além do rock, compondo e fazendo a música na inteireza, o que o levou a fazer o divertidamente crítico “Samba do lusco fusco e produzir um disco com nome sugestivamente nordestino (“Matulão”, de 2005), com rock do começo ao fim, mas com reggae também presente.

Teófilo gosta de ouvir lendários nomes do rock, entre os quais Raul Seixas, Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Doors (Jim Morrison), Led Zeppelin (Robert Plant; Jimmy Page; John Paul Jones; John Bonham). Também tem Roberto e Erasmo Carlos no panteão dos compositores que mais gosta, no qual entroniza Luiz Gonzaga, cuja música pode até não harmonizar com o rock, mas combina com o sentido de terra que acompanha o autor de “Pedra do Sal” e “Beijos e cacos”.

Com muitas músicas somente assinadas por ele mesmo, Teófilo tem em Guilherme Paiva, músico, filósofo e sociólogo, seu parceiro mais recorrente. Compôs também com Fábio Nóbrega (morto em 2019), com o escritor e roteirista cearense Ricardo Kelmer, com o dramaturgo ArimatanMartins e com o músico oeirense Fred Maia, atualmente morando em Lisboa.

Teófilo segue um padrão comum a outros compositores em seu processo de criação: a música e a letra surgem espontaneamente, em qualquer hora ou lugar, porque a mente não para, talvez se portando, como diz o compositor em Siô, No meio da noite, tudo acordado/O tempo ligado na televisão/Eu vi teu assunto correndo de um lado pro outro

Assim, se à noite chega à mente dele uma música, ele diz que precisa levantar, escrever e voltar a dormir. Se não se levantar, perde a música e o sono. E quem gosta de Teófilo perde mais uma composição dele.

O compositor não tem especificamente fontes de inspiração e influências. “Tudo o que é bom e bonito me inspira, me influencia”, diz Teófilo, que lembra ter sido um momento importante (e belo) de sua carreira o Festival Piauí Pop, responsável por um impulso em sua carreira, na qual as apresentações e shows foram sempre uma boa recorrência. Teófilo participou de todas as edições do Piauí Pop em Teresina e em Fortaleza- CE tocou nos anos de 2005 e 2006 no Ceará Music.

Ele deixou Parnaíba em 1998 para morar em Teresina, onde três anos depois gravou o álbum “Com fusão”, seguido por “Matulão” (2005), “Teófilo” (2018) e “Lusco fusco” (2018). Há hiatos consideráveis de tempo entre as gravações, todos preenchidos com muito trabalho.

Em 2002, por exemplo, Teófilo abriu o show de Alceu Valença pelo Circuito Cultural Banco do Brasil e desse evento seguiram-se shows em várias capitais do Nordeste e em Brasília, em 2003. No ano seguinte participou do projeto MPB Petrobrás, no Dragão do Mar, em Fortaleza, abrindo o show de Arnaldo Antunes.

Depois de gravar e lançar o álbum, Matulão”, em Teresina e em São Paulo, participou do Projeto “Sol e Música, com Zé Roraima e a banda Narguilé Hidromecânico, com shows em Teresina, São Paulo, Rio de Janeiro e Niterói. Também fez shows em Brasília (2010), no aniversário de 50 anos da cidade.

Uma agenda de shows sempre muito cheia não impediu Teófilo de agir como pessoa hiperativa para trabalhar, daí ele ter conduzido, a partir de 2009, em vários emissoras de TV, seu programa Piauizando”, com a proposta ir a todo o Piauí, destacando o talento de pessoas em diversas áreas: músicos, escritores, artesãos, atletas e quem que, por meio de hábitos e habilidades, exalta a cultura do povo piauiense.

A inquietude criativa de Teófilo Lima o fez maior que um músico e compositor, que o faz também um ser humano preocupado com questões mais amplas, como o meio ambiente e muito mais ainda com a cultura enquanto um universo comum a todas as pessoas, o que se expressa nos seus versos de “Compreendi”, em que diz que sempre é hora de saber”.

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