Rubens
Perfil Criativo
Rubens e o DNA musical familiar que aperfeiçoou com treino e leveza.
Pode parecer mera impressão, mas quem ouve Rubens tocar, tem sempre aquela sensação de que a música dele sempre tem um certo apelo dançante. Talvez derive isso do fato de a música ter surgido na vida do artista muito mais pelo viés da dança que de musicalidade em si.
Rubens se forma em um ambiente muito musical. Os tios Francisco de Assis, Justino Pedro e Jurandir Barbosa tinham uma banda de baile chamada ‘Os Paqueras’ que mais adiante virou ‘Som Pop’, uma caracterização completa do que ele viria a se tornar. Havia música em casa e no DNA. A musicalidade dos tios vem do avô de Rubens, Honório Barbosa, seresteiro, violonista e poeta.
Com genética e ambiente em que dança e música estavam no ar, formava-se um músico também amplamente influenciado pelo som de rádio – um traço muito comum a todas as gerações de artistas formados até os anos 1980.
Com Rubens não foi diferente. Ele é uma cria do rádio, que define como uma de suas grandes paixões, despertando interesse pelo pop, pela música latino-americana e pela música popular brasileira, dominantes entre os programadores das emissoras de rádio AM e FM.
As rádios FM passam a ditar mais o cenário musical nos anos 1980 e Rubens, então já um adolescente se descobre um consumidor de música brasileira, levando-o ao que ele define como “seus desdobramentos mais sensíveis” – sensibilidade muito própria do período em que ele vivia, a adolescência, quando também explodia no Brasil o pop-rock e o reggae surgiam como grande força no cenário nacional e internacional. O som dançante que se percebe em Rubens tem muitas nuances.
Surge nesse cadinho de ritmos, uma paixão pelo jazz, a soul music e o fusion, que Rubens define como parte de um conjunto de musicalidades que perpassa todo seu processo preparatório para formar-se como um artista musical, que ele chama de “treinamento”. Mais do que “treinar” é preciso ir ao encontro de outras expressões musicais e assim, Rubens mais recentemente tem se voltado para a apreciação do rock clássico dos anos setenta e de música erudita. Isso lhe concede uma flexibilidade, diversidade e capacidade de unir tudo que é musical.
Nesse contexto de se permitir ouvir e gostar de modo diverso e despido de preconceitos, Rubens tem no seu processo criativo a frutificação dessas interações e experiências auditivas. Começa com tentativas de escrever algo que seja relevante e, assim, a poesia, o texto é de suma importância; as palavras acabam por ser o fio condutor na composição.
Propriamente na musicalização, Rubens explica que experimentou muito harmonicamente e percebeu que a melodia é o foco essencial para se criar uma boa canção. Assim, bem treinado nas artimanhas da musicalidade, conseguiu fluência em diversas maneiras de compor, seja através de uma simples palavra ou período, de um acorde interessante que o leve a criar texturas sonoras e encadeamento fluido, de uma melodia que escape do ponto comum e claro, também movido pela intuição derivada da vivência no cotidiano das simplicidades.
Para que o treinamento, ou mais precisamente, a apreensão das capacidades para compor pudesse ser mais eficaz, Rubens se deixou influenciar por muita gente, a começar pelos tios, que o levaram na infância a travar conhecimento com a Disco Music e artistas como Tina Charles, a banda inaugural de Michael Jackson, os Jackson Five, Earth Wind & Fire, Chicago, Santa Esmeralda, Nonato e seu conjunto, Pholhas, Trepidantes etc…
Com a paixão pelo rádio, um dia encontra Djvan, cantando a muito dançante ‘Samurai’, que abre uma janela sem tamanho para todo um ambiente sonoro que até então não o tocava tanto assim. Com Djavan vieram Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso, João Bosco, Tom Jobim. Daí, como na sugere Gonzaguinha, em “Explode coração”, Rubens deu de se perder e se achar em tudo aquilo o que é ouvir.
Porém, sempre mais achado que perdido, porque além da rádio, podia ouvir sempre que quisesse a coleção de discos que ganhou do seu tio, o radialista Antônio Emídio. Isso permitiu-lhe afinar-se na sonoridade de uma infinidade de sucessos de todos os estilos possíveis naquele tempo. Rubens diz que isso ajudou a moldar profundamente sua personalidade musical.
A família está sempre presente nessa formação, porque quando começa a se profissionalizar, nos anos 1980, seus primeiros trabalhos ocorrem com o tio, Justino Barbosa, um multi-instrumentista – o que o levou a uma carreira em bandas de bailes, como a Luau, uma sensação musical em Teresina nos anos 1990, e a compor com seus parceiros mais frequentes, Mirton, Machado Junior e Assis Bezerra, mas também a fazer direção musical de espetáculos, a exemplo do projeto ‘O poeta e sua hora’ com produção de Soraya Guimarães e do Grupo Harém de Teatro.
Trilhar e treinar pelos caminhos da música levou-a a uma parceria com Torquato Neto no projeto “Torquato Neto Inéditas Entre Nós” produzido pela UPJ e George Mendes, com a direção musical de Geraldo Brito. No álbum Rubens musicou a letra de “Vocês não têm outro rosto”, definido por George Mendes como o poema mais complexo dessa série. Mas Rubens, treinado como ele gosta de dizer, saiu-se muito bem desse grau de dificuldade. Deu conta do recado. E bem, porque coube a Rubens musicar também “Dia violento” – evidenciando o talento do compositor que compreende muito a diversidade.
Músicas
Composições Inéditas
Cogito - Rubens
Paupéria - Rubens
Desequilibrio - Rubens
Sereia sem plano - Rubens
A Primeira Vista - Rubens
Imagens / Encartes