Ronaldo Bringel
Perfil Criativo
É uma brasa, mora?
Ronaldo Martins Bringel é um intérprete, dos melhores que temos. Assim nos acostumamos a nos referir ao Brasa, lembrando ainda sua enorme admiração por Gilberto Gil, Roberto Carlos e Luiz Melodia.
Se está na voz aveludada de Ronaldo, capaz de alcançar “tons e mil tons geniais”, a sua mais marcante característica na arte musical, não é a única. O músico chegado ao ritmo vibrante encontrou espaço no violão e na percussão; o compositor de ouvido apurado cheio de suingue; o arranjador intuitivo, fazem parte dessa figura marcante da música popular autoral piauiense.
Foi formado, por assim dizer, no clube da esquina da rua São Pedro, a casa do Geraldo Brito, convivendo com uma extensa gama de artistas que por lá batiam o ponto quase que diariamente.
Ronaldo Bringel é dono de uma personalidade situada entre a timidez e a ousadia. A timidez de quem se acostumou a falar baixo para poupar a voz. A ousadia, de quem sempre soube o que queria fazer e como fazer. O sorriso de gargalhada sempre deu a palavra final nas coisas armadas pelo Brasa. Era seu jeito de dizer sim. E de seduzir.
Se o intérprete escalou muitos corações e sensibilizou os ouvidos de muita gente, o compositor foi sempre muito seletivo nas suas escolhas. Dividiu canções com George Mendes, Paulo Batista, Pierre Bahiano, Durvalino Filho, Magno Aurélio, Torquato Neto e Viriato Campelo. Certamente quis compor com Edvaldo Nascimento. Já com Geraldo, um grande amigo, não chegou a vencer a timidez diante da admiração e respeito que nutre pelo nosso homem das cordas. Ficou a amizade e a confiança.
Se alguém o “descobriu” cantando, creio ter sido o Geraldo, daí choveram convites para participação em shows, festivais de música, gravação de discos, apresentações na noite teresinense, além de, claro, atividades outras em que esteve no centro das atenções.
Quando resolveu estender o manto das homenagens a Roberto Carlos, no programa do show, George Mendes escreveu sobre ele em maio de 1999:
Uma voz em muitos tons.
Naquele ambiente de verdadeira algazarra, que cerca qualquer festa popular encontro o Brasa na função de locutor FM e âncora de TV, sem direito a imagem disposta para o grande público. Rolava mais uma Micarina e lá estava a mais bela voz masculina surgida no Piauí nos últimos vinte anos.
Convida para uma entrevista prontamente aceita. No meio falamos de música, shows e artistas. Certamente que ele não cantava. Todas as luzes e amplificadores estavam à disposição dos reis da música de entretenimento, a jovem trupe baiana que assusta o Brasil com seu pique inesgotável de energia. Lá no fundo, o Ronaldo preferia saltar para o trio, fazer duo com a Ivete e harmonizar com o violão do Bel. Mas não era hora de nada disso.
Viver da voz faz parte das escolhas do artista Ronaldo Bringel. Piauiense de jeito manso, tom grave falando e puxado para o agudo quando canta, ele sempre mistura um pouco de timidez nos gestos com acurado senso musical.
Aliás, bom gosto e sensibilidade sempre moldaram a música do Ronaldo. Tomei contato com ele nas rodas de violão da casa do Geraldo Brito no finzinho da década de 70.
Quando se falava no Roberto ou se pensava no Melodia, lá vinha junto a lembrança do Ronaldo. Ele ria e cantava. Falava da última do Caetano e fazia as vezes do Gil. Teve tempo que preferiu djavanear. Depois passou a ter coragem de compor, revelando mais uma necessidade de expressão.
Se as referências, gostos e influências tornaram-se incontestáveis, não foram suficientes para sufocar a moldagem de um estilo, um jeito de fazer o seu belo canto.
Surge de fato, uma personalidade artística. Criativa e inteligente, madura e encantadora. Um presente para os nossos ouvidos, hoje tão massacrados por música de baixa qualidade.
O Ronaldo é a voz de Teresina que a gente mais ouve e o Brasil precisa conhecer.
Músicas
Composições Inéditas
Ao natural - George Mendes e Ronaldo Bringel
É UMA BRASA, MORA - Heli Guimaraes e Ronaldo Bringel
Imagens / Encartes