Osnir Veríssimo

Osnir Veríssimo

Perfil Criativo

OSNIR VERISSIMO DECLARA AMOR A TERESINA E AO PIAUÍ EM SUA MÚSICA

O conjunto da obra de Osnir Veríssimo não é somente notável. Quando se olha boa parte das canções, nelas está contida uma permanente declaração de amor do músico a Teresina e, por extensão, ao Piauí. Em sete canções, se dedica a falar da cidade, em uma delas “Feliz em Teresina” expressando de modo muito evidente seu amor à capital piauiense. Em outras seis composições, o Piauí é sua inspiração e tema, como se pode claramente ver em “Chorinho piauiense”, onde cita 29 cidades piauiense, Teresina, claro, incluída.

Assim, seguindo a ideia de que quem quer cantar o mundo deve cantar sua aldeia, Osnir fala do Piauí e de Teresina em canções como Bumba-meu-boi Piauí, Balão da Tabuleta, 40 graus, Punaré, que é o nome na língua indígena para o rio Parnaíba; Angu, Blablabá no Mafuá, na doçura de Feliz em Teresina, em Pacatuba jazz (instrumental), considerando Pacatuba ser nome anterior da atual rua São João, tão bem descrita em “A rua”, de Torquato Neto.

Essa relação visceral com a cidade de Teresina, sobretudo, fica evidente no álbum Pé no frevo, em que das 12 faixas, oito falam direta ou indiretamente da capital do estado e de outras cidades piauienses.

Se o Piauí e sua capital Teresina permeiam a obra de Osnir, o compositor étem por musa uma só pessoa, de longa data, desde a infância: a cantorapiauiense Rosinha Freire, do grupo Conjunto BEC Boys. Ele assistia aos ensaios da banda, mais ainda quando eles aconteciam na casa de Rosinha, geminada à dele ou como se expressa no melhor “piauês”, parede-meia.

Se na inspiração tem apenas uma musa, como compositores que admiram e podem ser guias de seu trabalho autoral, Osnir Veríssimo admite maior admiração por Chico Buarque, Gilberto Gil e Luiz Gonzaga. Um passeio pela discografia de Osnir vai mostrar que, sim, existe a presença dos fraseados musicais de Gil, Chico e Gonzaga, mas tem muito mais com isso. Certamente tem Jorge Benjor, em Paulinho da Viola, Capiba, Chico César,Dominguinhos. E, numa boa mistura assim, há muito de jazz no que ele compõe.

Osnir tem entre seus mais frequentes parceiros na composição João Luiz Bezerra, Glauco Luz, Francisco Magalhães, Francy Monte e Paulo Moura,com os quais tem número mais relevante de composições. Compôs ainda com o paraibano Pedro Osmar, Geraldo Brito, Durvalino Couto e William Soares e Torquato Neto, no álbum de inéditas do compositor tropicalista.

Osrnir faz a sua música passear pelos ritmos e como sugere Da Costa e Silva em seu hino do Piauí, pelas matas e chapadas, pelo sertão e chega até o mar, como fez em “Num sabia”, em que ele transborda em poesia e beleza.

Transborda também em diversidade, porque Osnir faz choro, frevo, samba, marchinhas de carnaval, reggae. Nessa trilha musical tão diversamente ritmada, o compositor aborda muitos temas, seja o amor que guia tantas composições, quanto a veia cronista para retratar Teresina, o que pode fazer das suas canções – sobretudo com Francisco Magalhães – em documentos históricos, que podem carregar um certo “zeitgeist” musicalmente delineado.

O espírito do tempo (zeitgeist”) claramente se faz acompanhar na trilha de Osnir Verísismo, que com 62 anos completados em 2025, já tem uma estrada de 45 anos na música, posto que se iniciou neste terreno de arte e cultura quando tinha 16 anos, em 1979, no Grupo Som Tropical, na Vila Operária, zona norte de Teresina, onde o samba fazia morada.

O mundo da música o fez gravar nove álbuns, sendo o primeiro Batucada, de 1999, e o último Rebolandê, de 2001, além de realizar ou participar de sete shows, sempre com temas autorais, considerando que o público precisa e merece conhecer trabalhos bem pensados e bem elaborados.

Isso é possível porque Osnir abriu caminho ainda menino em festival de música instrumental do jornal O Dia (1980), ganhando gosto por festivais e apresentações no Piauí e fora do Estado, sempre compondo em um processo no qual a música sempre vem antes da letra, sem embargo de musicalizar a letra dos parceiros com que divide caminhos e inspirações para a criação de uma obra vasta, diversa e cuja audição é sempre capaz de fazer com que o ouvinte descubra nas canções de Osnir algo novo a cada vez que as ouve.

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