Márcio Menezes
Perfil Criativo
MÁRCIO MENESES FAZ UM SOM UNIVERSAL AO JUNTAR JAZZ E MÚSICA NORDESTINA
A Serra das Confusões é um dos lugares mais lindos do Piauí, assim chamada pela forma como toda aquela beleza muda a ponto de confundir o visitante. Márcio Meneses certamente captou essa condição da serra ao fazer uma música com o mesmo nome em seu álbum “Bumba Jazz”, lançado em 2000, com participações de Cristóvão Bastos, Carlos Bala, Paulinho Trompete e Nelson Farias entre outros instrumentistas.
O compositor, instrumentista (flautista saxofonista) e arranjador de 63 anos (em 2025) fez ainda outro álbum na mesma temática, o “Bumba Jazz ao vivo” e nesses trabalhos evidencia sua ligação sua cultura em “Macaxeira”, música em que claramente se percebe a influência de ritmos nordestinos vestindo-se em tons de jazz. Evidentemente que ouvidos atentos se deixarão seduzir por esse som tão original.
Esses tons de jazz que vestiram a música nordestina, ou vice-versa, fizeram com que seu álbum inicial, gravado em 1996, “Eclipse” se tornasse um êxito, porque foi distribuído internacionalmente e vendeu mais de 10 mil cópias. Um marco na carreira de Márcio Menezes, trazendo a sofisticação do jazz e a beleza da música nordestina.
O disco contou com a participação de Odette Ernest Dias, Célia Porto, Adriano Faquini, Toninho Maia e Renato Vasconcelos entre outros. Foi gravado em Brasília e premiado como melhor CD em pesquisa realizada pelo SBT em Teresina, distribuído pelo selo Outros Brasis em Portugal e Espanha, o que levou o músico a uma turnê com shows na Itália, para divulgação desse trabalho.
Em 2003, três anos após a gravação de “Bumba Jazz” ele lançou o CD “Bumba Jazz ao vivo”, resultado da turnê de shows realizada pelo músico em diversas cidades brasileiras para divulgação álbum feito em estúdio. O show no Sesc Paulista contou com a participação de Cuca Teixeira, Michel Leme, Pepe Rodrigues, Tiago do Espírito Santo e Bebê. No repertório, composições registradas em seus dois primeiros discos, além de uma versão de “Arroio”, do saxofonista Victor Assis Brasil.
Em seus shows, o instrumentista interpreta composições próprias e clássicos da música brasileira e do jazz contemporâneo, atuando na flauta e nos saxofones tenor, alto e soprano, acompanhado de um quarteto com bateria, baixo, guitarra e piano.
Márcio agora quer levar sua música a um nível maior, que é de compartilhar seus conhecimentos. Ele desenvolve oficinas de harmonia e improvisação e ainda no ano de 2025 trabalhava para abrir uma sala de gravação na qual pretende oferecer cursos de teoria, harmonia, improvisação, arranjo, composição, percepção musical, percepção acústica. Parece razoável supor que será uma experiência exitosa.
O músico diz que seu trabalho é completamente autoral, por isso, considera como parceiros os músicos que gravam nos seus CDs. Diz que a maneira como cada músico toca as suas composições é importante e soma muito no resultado estético que ele procura. Sendo jazz o que faz e havendo a improvisação em que cada músico pode exceder em talento e técnica, certamente a cada apresentação a música é nova ou renovada ou recomposta, conforme a visão de Márcio Meneses.
Por isso mesmo e não sem razão, Toninho Horta a ele se referiu como “um dos músicos mais importantes desse país, que toca música de qualidade em alto nível”. Márcio diz que tocar com Toninho é “divinamente musical” – o que pode ser uma constatação sobre ele mesmo: Márcio toca divinamente, certamente porque, como diz o próprio compositor, para sua música acontecer, “o primeiro passo é tocar com amor e pessoas que realmente amam assim como eu, a música instrumental”.
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