Lázaro do Piauí

Lázaro do Piauí

Perfil Criativo

LÁZARO

Em seu perfil no Dicionário Ricardo Cravo Albim da Música Popular Brasileira, Lázaro José da Silva, que se tornou o Lázaro do Piauí, é definido como um compositor que queria ser jogador de futebol e em 1962, ao participar de uma roda de samba no bairro carioca de Olaria, conheceu Garrincha, então no auge do sucesso, que o teria apresentado a Elza Soares. Impressionado mais com a voz da cantora que com os dribles do jogador, decidiu que, para ele, a música seria mais jogo que o futebol.

A escolha certamente foi mais natural porque Lázaro vem de uma família em que a música sempre esteve presente, sem embargo a que ele tivesse uma carreira profissional e acadêmica que o fez economista por formação universitária. Músico foi a vida toda e segue nessa toada, tornando-se uma “persona”, ou seja, para além do compositor, encarna um artista com características próprias e únicas.

No percurso que fez dele um dos nomes mais conhecidos da música no Piauí, Lázaro esparramou canções, algumas delas com o carimbo de clássicas, como Agora é tarde, “Forró porreta, que dá nome a um de seus discos, o xote “Morrendo de saudade, que fez em parceria com Cassiano Costa.

Tem no forró – que pode ser entendido como xote e baião – o seu maior número de composições. E no processo criativo, se cerca das vivências e experiências, do que de fato acontece, sobretudo no amor romântico, o tema mais frequente de suas composições.

Uma olhada em sua obra permite dizer que compôs muito mais sozinho, sem prejuízo de boas parcerias, a exemplo do que se pode dizer de Desafio”, que fez com Rubeni Miranda.

Forrozeiro de primeira linha, inspirado em Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Flávio José, busca suas referências onde houver qualidade musical, material farto entre os compositores que ele mais admira: Chico Buarque,pelo conteúdo da obra, Gilberto Gil, pela diversidade faz todo tipo de música; Luiz Gonzaga, que ele define como a base de toda a sua musicalidade.

A lista dos compositores e cantores que ele ouve e dos quais a influência no trabalho termina se mostrando é ampla, porque inclui Jackson do Pandeiro, Caetano Veloso, Tom Jobim, Vinicius de Moraes. Lázaro não vê fronteiras na música, pois entende que as variações que podem separar ritmos apenas acentuam as diferenças que servem, ao ver dele, para construir belezas diversas. Seria ruim, diz, se as músicas fossem todas iguais, pois assim não haveria do que se gostar, porque o gostar de cada um é diferente.

Ele tem razão, já que sua música começa no Rio de Janeiro, na malandra companhia de Moreira da Silva, o Kid Morengueira, astro maior do samba de breque, que fez participação em seu primeiro trabalho gravado e com o qual abriu as portas para se apresentar no Projeto Pixinguinha, onde chegou pelas mãos de Hermínio Belo de Carvalho, que conheceu na Casa da Elza Soares, em 1970. Assim, apresentou-se em 18 capitais do país, ao lado de grandes nomes da Música Popular Brasileira, a partir de 1977.

Como bom nordestino, retornou à terra, fixando-se em Teresina, onde, além da música, ocupou-se de um curso de Economia, no qual se graduou. Trabalhou no setor público, abriu uma empresa, fez-se radialista e diretor de emissora de rádio. Seguiu compondo para virar Lázaro do Piauí, mais que artista, “persona”, uma alma irrequieta, sempre fazendo bem mais que somente música, que ele compôs aos montes e em todos os estilos: forró, romântica, lambada.

Em tudo, deixou de lado a pretensão. Fez o simples e o bom, que fala diretamente às pessoas sem subterfúgios, seja na letra, seja na melodia, seja no modo muito próprio de interpretar o que compôs e o que os outros compuseram e que Lázaro do Piauí vestiu com sua frugalidade que dá tons de gala ao que canta, como fez com Agora é tarde, música que fez de seu long-play Só por amor”, de 1996, estar entre os 100 mais ouvidos do país.

Agora é tarde” tem sido regravada e relida para seguir o que é: uma letra clássica e linda, sem data de vencimento, perene como toda boa parte da obra com as digitais de Lázaro do Piauí, também é um “jinglista” de primeira linha.

No mundo da publicidade, compondo “jingles”, sua experiência começou em 1986, a pedido do amigo e colega economista Felipe Mendes, que disputou e venceu eleição para deputado federal. Daí em diante, foram centenas de jingles, sendo os mais conhecidos o da campanha de reeleição do governador Mão Santa, em 1998, Essa mão é santa eu sei” e o de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006: “Deixa o homem trabalhar”.

E se é para deixar o homem trabalhar, Lázaro do Piauí segue na labuta, porque mesmo já tendo trabalhado muito, mas muito mesmo em sua faina de espalhar alegria e música há mais de meio século pelo Piauí e pelo Brasil – o que muito bem fez em julho de 2025, ao iniciar uma temporada de shows para comemorar os 50 anos de sua vitoriosa carreira.

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