Glauco Luz

Glauco Luz

Perfil Criativo

GLAUCO LUZ, COMPOSITOR QUE FAZ MÚSICA MÚLTIPLA E DIVERSA

Uma das dezenas de composições de Glauco Luz tem um divertido título: “Que diabo é jazz”, assinada com Geraldo Brito. A canção ganhou duas leituras bem-realizadas de João Claudio Moreno e Chico César, que deram brilho a uma letra que dimensiona a diversidade de gostos musicais dos brasileiros – que podem estranhar alguém que, diante de tantas escolhas possíveis, acresce o jazz ao cardápio musical

Essa música pode resumir bem o som deste compositor piauiense nascido em Pernambuco, criado em Simplício Mendes, no sertão do Piauí e moldado no Rio de Janeiro, onde começou sua carreira ao vencer o Festival de Música de Piraí, com a canção “Provinciana”, que ele mesmo defendeu, em 1990.

A música que faz Glauco Luz não se é se não um ritmo universal entrecortado pelas experiências e vivências pessoais, o que vai estar na composição já citada em que ele enumera a variedade de ritmos na vastidão de terras e gentes que são os brasis ou na regionalidade de “Que xote” (dele com Aurélio Melo), em que invoca uma legião de figuras fundamentais da cultura nordestina, mas aponta à universalidade, com o jogo de palavras que remete ao romance de Cervantes.

Que xote”, composta em 1993, seguiu a trilha exitosa aberta para o Glauco no Festival de Música de Piraí (RJ). A canção ficou em terceiro lugar no Festival Canta Nordeste, na Rede Globo, no Recife.

Dois anos mais tarde, em 1995, outra composição dele com Aurélio Melo, “Meio tom”, ficou em quarto lugar em festival realizado em Natal (RN). Antes disso, em 1994, “Casa caiada”, composta com Anderson Nóbrega e Carol Costa, foi finalista do mesmo Canta Nordeste. Note-se que em todas elas há muito de sertão presente.

Em 2011, suas músicas “Verdadeira” e “Ouricuri” (dele, de Anderson Nóbrega e Carol Costa) foram finalistas do Festival Nacional da Canção em Minas e “Antiga” (também assinada por ele, Anderson e Carol Costa) foi escolhida como melhor letra de um festival de música em Avaré, São Paulo

Glauco Luz é essencialmente um realizador de canções, que escreve e compõe, para que outros apresentem suas obras – o que frequentemente ocorre, com leituras agradáveis a quem as ouve. Uma série de álbuns gravados e sua participação no Ensaio Vocal, ao lado do maestro Aurélio Melo, mostram bem essa qualidade de fazer boa música.

Quando deixou Simplício Mendes para ir ao Rio de Janeiro e vencer um festival, Glauco fez o caminho de volta para Teresina, onde conheceu alguns dos muitos parceiros musicais, sendo Aurélio Melo o mais rotineiro em suas composições. Com o maestro fez-se finalista do em festival na TV Record, em São Paulo, em 1991, com a música “Rataplã, rataplã”, arranjada por Rogério Duprat e interpretada pelo Ensaio Vocal.

Ele voltaria a ser finalista de um festival, desta vez da TV Cultura, com “Urbe”, feita com Geraldo Brito, também um parceiro musical recorrente. A canção foi interpretada por Ronaldo Bringel, em 2005, na cidade de São Paulo.

Com uma trilha de sucessos em festivais, ele fez caminho de êxitos para lançar álbuns que mostram seu talento de letrista e compositor ao se valer de imagens percebidas em jogos de palavras, o que resulta em canções divertidas, que valorizam a emissão dos sons a serviço de boa harmonia proposta por seus parceiros musicais.  Como resultado, tem-se composições que não estão emolduradas por um ritmo, que se diversificam em gêneros musicais, mesmo que estejam enraizadas no Nordeste profundo, quem sabe em influências ibéricas das quais ninguém pode fugir.

Essa bagagem cultural ele levou para seus trabalhos gravados como “Muito tudo”, álbum de 2009, em que apresenta trabalhos em parcerias com Anderson Nóbrega, Carol Costa, Aurélio Melo, Geraldo Brito e Luizão Paiva, interpretados por ele mesmo, Carol Costa, João Cláudio Moreno, Dalmir Filho, Ronaldo Bringel e Alexandre Júnior (Nakinha).

O álbum duplo “Refinaria”, com produção do baterista Di Stéfano, gravado em 2017, é um songbook com interpretações de Bena Lobo, Carol Saboya, Chico César, Danilo Caymmi, Di Ferreira, Edinho Queirós, Flávio Leandro, Filó Machado, Gustavo Baião, Maciel Melo, Márcia Siqueira, Myriam Eduardo, Paula Santoro, Ronaldo Bringel, Tânia Alves, Tico de Moraes, Toninho Horta, banda Validuaté, Vicente Nucci, Vinícius Cantuária, Zeca Baleiro e Zé Cazado.

Seu último trabalho gravado, “Cantareira”, exibe o mesmo cuidado dos dois álbuns anteriores, mas desta vez ele aventurou-se a gravar aquilo o que antes entregou à interpretação de outros. O compositor fez-se cantor, trafegando por suas próprias canções com arranjos de Roberto Mendes e Josué Costa.

O último álbum com a voz do dono (ou o dono da voz) mostrou que Glauco Luz sabe muito bem o que diabo é jazz e sabe bem mais que a resposta dificil à pergunta igualmente difícil sobre músicas e musicalidades. A isso responde ele com música. Simples assim.

 

 

Músicas

Imagens / Encartes