Francy Monte
Perfil Criativo
FRANCY MONTE E SUA MANIA DE FAZER SAMBA
Francy Monte diz “fazer do samba uma mania”, em sua composição “Divino toque”, uma das mais de 400 músicas que assina sozinho ou em parceria com outros compositores. É razoável que ele faça bem mais que isso, porque em quatro centenas ou mais dessas composições, teve espaço para musicalizar peças de teatro, elaborar hinos para cidades e times de futebol, fazer baladas, trilhas sonoras e sambas-enredos para escolas de Teresina e Barras, sua terra natal.
Faz sentido que tenha mania pelo samba, porque o carnaval sempre esteve presente na vida dele. Fez sambas enredos para as escolas de samba em Teresina (Skindô e Ziriguidum), Barras (Deixa Falar, Estação Primeira e São Cristóvão), Regeneração (Ases do Ritmo) e União (União do Povo).
A música desse compositor que ama o samba começa cedo em sua vida, em 1965, quando aos 10 anos de idade animou-se em ver o violonista Zé Alfredo Monteiro animando as festividades em Barras. Pediu a ele que o ensinasse a tocar violão e assim foi aprendendo até que formou a banda “The Bigs”, junto com Afonso Mesquita, Deusinho Mesquita, Monte Filho, Neto Tavares e Corinto Brasil. Começava na música ao som dançante e com o visual da Jovem Guarda.
Apesar dessa inspiração, até nas roupas da banda, Francy Monte sempre os pés na terra, daí ele mesmo se definir como “cidadão com cheiro de terra molhada.Um telúrico que transcende sua terra, sem jamais perder de vista que está enraizado”. Evidência disso é que assina os hinos das cidades de Barras, sua terra natal, e Cabeceiras do Piauí; hinos de clubes de futebol; de lojas maçônicas e até de academias de letras e da Universidade Estadual do Piauí.
Ecletismo é a palavra que define essa disposição incansável para compor presente em Francy Monte, que admite ser chamado de compositor eclético, que trafega do samba-canção até o xote, passando pelo baião, bolero, a bossa nova, o frevo, as machinhas de carnaval, os hinos e os samba-enredo que animam as guerras de alegria no carnaval das escolas de samba.
Tanta disposição para compor exigiria um método, uma fórmula? Não para Francy Monte, porque a música vai surgindo por uma inspiração não explicada. Se vem primeiro a música, a letra deve ser buscada por ele mesmo ou nas parcerias; se é a letra que chega antes, ele mesmo busca a melodia e o ritmo. Mas não é processo simples ou fácil. Requer cuidado e apuro, porque mesmo não sendo receita de bolo, pode uma canção desandar.
As parcerias ajudam a fazer a música vir à tona. Francy Monte compôs muito solitariamente, tendo somente três parceiros, o compositor, músico e arranjador Osnir Veríssimo, que a exemplo dele traz em seu trabalho uma gigantesca inspiração ligada à terra e às vivências pessoais; o radialista Francisco Medeiros e o jornalista Francisco Magalhães, ambos já falecidos.
Francy não reluta em dizer nomes de compositores que admira e nos quais poderia se inspirar, mas tem fonte para as inspirações: a mulher, o mar, a natureza, o amor, a dor, “imbatíveis” na sua definição, seguida pela paixão, a alegria, a beleza, sempre inseridas nas primeiras.
Influências para ele vêm de todos os lados, a começar pela Jovem Guarda no começo de carreira, com Roberto Carlos no topo. Compositores como Noel Rosa, Paulinho da Viola influenciam um homem com mania de samba, com o coração aberto para a música provocadora de Raul Seixas, as canções de Milton Carlos, o suingue de Moraes Moreira e a ousadia dos compositores cearenses, afinal Francy morou no Ceará e de lá traz também parte de sua influência.
Para quem começou uma trajetória muito cedo, aos 13 anos, em quando veio para Teresina com os pais morar, Francy Monte tem uma participação de palco módica. Era um jovem ousado porque em 1968 se apresentava no auditório do que viria a ser a TV Clube, depois, em 1972, estava novamente na rádio no divertido programa “Um prego na chuteira”, de Deusdeth Nunes, o Garrincha e no ano seguinte venceu um festival de compositores organizado por Elvira Raulino, com a música “Peixe azul”.
A excelência e extensão de seu trabalho, portanto, não se mede pela exibição dele próprio. Desde cedo, compôs para trabalhos coletivos, como na peça “Mamãe eu disse mamãe”, de Ari Sherlock, para a animação de torcidas como a do Tiradentes super vencedor do futebol do Piauí nos anos 1970 ou dos muitos sambas-enredo com o qual se consagrou campeão na avenida.
Músicas
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