Edvaldo Nascimento
Perfil Criativo
EDVALDO NASCIMENTO, O CARA QUE É A CARA DO ROCK EM TERESINA
Edvaldo Nascimento chega ao mundo em 1960, quando o rock já era uma presença global e, claro, estava em Teresina, terra de nascimento desse cara que é a cara do rock nesta cidade. Cedo, com os irmãos, essa experimentação musical esteve presente na vida de Edvaldo, com a banda Os Metralhas, famosa no espaço lúdico-musical-artístico de Teresina e que lhe permitiu experimentar novidades que chegavam pelos familiares residentes no Rio de Janeiro e que vai-e-vem entre as duas cidades lhe traziam discos – uma preciosidade para a época.
Assim, Edvaldo assenta suas pedras no caminho da música inspirado em nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Pepeu Gomes, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Ângela Ro-Ro, Hermeto Pascoal, Luís Melodia, Djavan, Os Novos Baianos, Renato e Seus Blue Caps, Jerry Adriane, Rita Lee, Roberto e Erasmo Carlos.
Entre as inspirações vindas de fora do cenário musical brasileiro, foi influenciado pelo som quase sobrenatural de Jimmy Hendrix, pelos Beatles e os Rolling Stones e pelo rock pesado de Led Zeppelin e The Purple.
Com acesso ao rock e ao pop, mas também à música popular brasileira, o compositor, que escreveu versos como “meu amor a UNE nos uniu” é fruto de um país onde toda a música se misturava e formava tanto talentos diversos quanto um público exigente, sempre disposto a ser surpreendido.
Com tanta gente a lhe passear pelos ouvidos, o som em Edvaldo Nascimento, ele conta, surge de modo espontâneo, quase como uma coisa mágica ou chama divina. Porém, quanto à feitura da música, esta surge como um tema lírico ou de um contexto cultural e sociopolítico – ou seja, tem muito de real que de mágico.
Neste espaço de composição em que a realidade encontra a inspiração, ele fez parcerias com compositores como Durvalino Couto, Arimatan Martins, Cruz Neto entre outros. Esses encontros resultaram em muitas canções em troca de entendimentos musicais e poéticos.
Além desses parceiros, entre suas mais de 200 composições, escreveu música e musicou palavras com Machado Júnior, Fred Maia, Nonatinho Medeiros, Viriato Campelo, Chico Castro, o recentemente falecido poeta William Soares. Mas tem sido com Durvalino Couto, Machado Júnior e Cruz Neto aqueles com quem mais produziu canções.
Com somente 18 anos, em 1978, Edvaldo foi a ousadia em pessoa: com produção de Raimundo Magalhães, empresário que trazia para Teresina shows como o de Roberto Carlos, fez o primeiro espetáculo de sua vida – “Cerol na Linha” – que por dois dias levou rock’n’roll para o palco do Theatro 4 de Setembro. Um espetáculo memorável, porque aquela foi a primeira vez que artistas locais lotaram o teatro e, mais do que isso, é relevante o fato de Edvaldo ter iniciado algo realmente novo no cenário do rock nacional: não havia negros fazendo rock’n’roll no país com gigantesca população negra. Ele foi um pioneiro.
Depois disso, Edvaldo permaneceu uma temporada no Rio de Janeiro, nos anos 1980, quando integrou a banda Pedra Bonita. O grupo gravou “Cara do Mundo”, composição de Edvaldo em parceria com Arimatan Martins, que contou com a participação especial de Erasmo Carlos. Ele estava no Rio no começo do que seria a explosão do rock no Brasil, algo que descreve como uma experiência incrível de crescimento e de contatos na área musical.
Evaldo tem uma longa participação em coletâneas, desde o começo da carreira, como no disco do Festival de Música Popular Piauiense, o FMPBEP, “Geleia Gerou” e “Cantares”, além de um disco feito pelo Banco do Nordeste. Sua discografia solo também é relevante, iniciada com o “Pedra Base”, em 1993, que bem reflete sua versatilidade e força criativa. Depois vieram álbuns como “Coração Quente” (2003), “Sou todo escuro e sou clarão” (2006) e o comemorativo “Rock 30” (2015), que reúne 17 sucessos de sua carreira, documentam a evolução de um artista essencial para a música do Piauí. Sua obra também cruzou o oceano, com a gravação do Extension Play “Rock en la monteñesa” durante uma temporada na Espanha.
Nessa extensa discografia, há obras musicais que já podem ganhar o selo de clássicas, entre as quais “Minas e minas”, “Coração quente, “Aumenta que é rock”, “Feito água”, “Cara do mundo”, “Filha do Sol” e “Amor lindo”.
Edvaldo é músico de palco e por isso sua carreira é também marcada pela atuação e produção em importantes projetos, como o Pixinguinha, Seis e Meia, Piauí Sampa (em São Paulo), Piauí Pop, Teresina Capital do Rock e Feira da Música (em Fortaleza/Ceará). Além disso, tocou com artistas como Djavan, Zizi Possi, a banda Barão Vermelho, Paulo Ricardo, Paulinho Mosca dentre outros.
A pandemia de covid-19, que tirou a cultura do palco e a colocou nas lives ou mesmo a fez silenciosa, não foi impeditivo para Edvaldo Nascimento, que seguiu em home office fazendo trabalhos autorais, criando músicas bastante tocadas nas rádios como “Recomeçar”.
Com 40 anos de carreira, sem perder o jeito daquele menino que subiu ao palco pela primeira vez aos 18 anos, carregando mais ousadia que experiência, como o primeiro rapaz negro a fazer rock no Brasil, Edvaldo seguiu firme em um projeto pra celebrar esse feito. Em setembro de 2025, fez o show 40+ e mostrou que quando Edvaldo Nascimento está no palco é preciso fazer um pedido direto: aumenta que é rock!
Músicas
Composições Inéditas
Edvaldo Nascimento - Raizes do norte
Edvaldo Nascimento - Dama Macêdo
Edvaldo Nascimento - Memórias do Sol
Imagens / Encartes