Cruz Neto

Cruz Neto

Perfil Criativo

CRUZ NETO, INSPIRADO COMPOSITOR DE MUITOS FESTIVAIS

Quando em 1980, a canção “Coração Noturno” foi para a semifinal do Festival MPB 80, promovido pela Rede Globo, o autor Cruz Neto tinha somente 23 anos, mas já compunha fazia nove anos, porque começou a tocar violão aos 13 anos e aos 14 escreveu sua primeira música, chamada “Homem platônico” – uma escolha de título que mostrava haver uma boa bagagem do nascente compositor para trilhar o longo caminho da musicalidade.

Com a experiência musical surgida no seio familiar, em que o pai radialista apresentava a música aos filhos, Cruz Neto mostrou-se desde cedo fascinado pelo desafio – e isso aparece no fato de que com 15 anos (apenas dois de contato mais amiúde com a música), lá estava ele participante do seu primeiro festival de música, em São Luís (MA), em um projeto denominado Mirante, com a música “Luzes do Velho Sobradão”, em parceria com Rodrigo Jansen. Ficou em quinto lugar, concorrendo com artistas já consagrados à época na cena artístico-musical ludovicense, como Sérgio Habibe e Ubiratan Sousa.

A experiência musical iniciada em São Luís foi permeada pelo consumo frequente da música popular brasileira – o gênero amplo em que se inscrevem os trabalhos de Cruz Neto, que não tem um método específico para compor, fazendo-o tanto pela insistência da técnica quanto pela leveza da intuição.  Compor, assim, pode ocorrer de ele estar tocando e um determinado acorde o encantar e nesse instante, vem melodia e letra juntas, de modo espontâneo.

Evidentemente que da música surge a música, do compositor surge a composição, de quem se admira advém o que musicalmente é produzido. Assim, Cruz Neto tem mais influências que inspirações em seu trabalho de compositor. Porém, há duas referências musicais que ele enumera como fundamentais: a música barroca de Johann Sebastian Bach, o compositor erudito que mais gosta; e inefável musicalidade de Milton Nascimento, em toda sua vasta obra. Separados por uns 300 anos, os dois se unem no gostar de Cruz Neto e, evidentemente, na genialidade comuns aos dois e que encanta o compositor piauiense.

Há outros caminhos musicais que levaram Cruz Neto a se influenciar pelos trabalhos de Ivan Lins, Gilberto Gil, Caetano Veloso e os compositores maranhenses – já que 20 anos de residência em São Luís fizeram-no manter um laço estreito com Sérgio Habibe, Josias Sobrinho, Ronald Pinheiro e César Teixeira.

Ter mais influências que inspirações em autores outros pode evidenciar o fato de que Cruz Neto tem bem mais canções solo que em parcerias. Entre os discos em que estão registradas algumas de suas composições, podem ser contabilizadas 46 assinadas somente por ele, enquanto há nove em parcerias – que somam bem mais com isso, destaque-se, porque Cruz tem músicas compostas em parceria com Geraldo Brito, George Mendes, Durvalino Couto, Aurélio Melo, Mário Lúcio Marques e com seus parceiros mais constantes, para que os quais escreveu mais letras: Abrahão Lincoln e Edvaldo Nascimento.

Se as parcerias mais recorrentes – como letrista – se dão com Abrahão Lincoln e Edvaldo Nascimento, sua descoberta enquanto músico que trilha o caminho mais profissional vai ocorrer no encontro com Geraldo Brito, um duo que se fez trio quando Cruz conheceu a cantora Laurenice França, que defendeu a sua composição no Festival MPB-80.

Com Geraldo e Laurenice, fez seu primeiro show (“Canto Amordaçado”), que, de um tanto quanto distante no tempo e na memória, já não se registra como data na cabeça de Cruz Neto, mas que foi importante como um divisor de águas, que o levaram a compor muita coisa, a voltar aos festivais, como se deu em 1994, quando sua música “Um violeiro, uma viola, um luar”, defendida por Myriam Eduardo, ficou em segundo lugar e recebeu o prêmio de melhor intérprete no final do festival Canta Nordeste, da Rede Globo de Televisão.

Cruz Neto evidentemente gosta muito do que (bem) já fez, mas tem uma canção inédita que é sua favorita, intitulada “Nódoa” – que certamente será tirada do ineditismo. porque o cantor e compositor tanto gravou e quanto foi gravado já faz bastante tempo.

Com uma produção muito própria, ele fez três álbuns autorais, “A Cor das Águas”, “Grafite” e “Canção de Seda” e teve músicas gravadas por Laurenice França, Solange Leal, Rosinha Amorim, Ana Miranda, Conceição Farias, Myriam Eduardo, Agnaldo Timóteo, Edivaldo Nascimento, George Mendes, José Marques, Moisés Chaves, Tutuca Viana – este, um cantor nascido na segunda cidade de coração de Cruz Neto, São Luís do Maranhão.

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