André de Sousa

André de Sousa

Perfil Criativo

ANDRÉ DE SOUSA: A MÚSICA ESCOLHE VOCÊ, NÃO VOCÊ À MÚSICA

Quando começou a tocar, no começo da década de 1990, André de Sousa passou a fazer parte da história da cultura e do rock no Piauí. Por razões que somente o amor pela música podem explicar – e explicam, felizmente – seus caminhos o fizeram embrenhar-se no fascinante mundo do blues. Só que nada é por acaso.

A chegada dele à música, que o leva a um ritmo incomum no Piauí e mesmo no Brasil, começa bem antes, com o refinamento musical que lhe foi proporcionado pelos pais, José Reis Pereira e Helena Pereira, professores universitários – e consumidores vorazes daquilo que se pode definir como o melhor da música, bem cultural de elevado nível.

Os pais tinham grande quantidade de vinis em casa e André foi formando seu gosto musical a partir da audição dos discos de música popular brasileira, instrumental e dos ritmos nordestinos. Era festa para ouvidos jovens e curiosos.

A juventude trouxe para ele o rock nacional e as bandas clássicas, como Beatles, Led Zeppelin, Rolling Stones, Black Sabbath e aí começa a se apaixonar pela guitarra. Com 13 anos, nos anos finais da década de 1980, resolveu estudar violão na Escola de Música de Teresina. Logo veio o convite para compor uma banda, tocando guitarra. Ele alegou que não sabia tocar guitarra. Recebeu a dica de que quem toca violão também pode tocar guitarra. Ele sequer tinha uma guitarra. Pegou emprestada e lá se vão mais de 30 anos tocando.

Essa estrada incluiu outras experiências com bandas, como a Roque Moreira, da qual é integrante e tem nome fortemente ligado a Teresina, já que relembra o nome do radialista Roques Moreira, apresentador do icônico programa de rádio “Seu Gosto na Berlinda”, na rádio Pioneira, em que se anunciavam festas e outras atividades sociais.

André conta o início de sua carreira profissional em 1994, quando passou a se apresentar em bares, restaurantes, casas de show. Fez parte da banda de rock Asseclas, liderada por Fernando Conrado (falecido em 2010), dos Miguelitos, Brigitte Bardot, Narguilê Hidromecânico. Em 2011, mesmo mantendo associação à banda Roque Moreira, iniciou também uma carreira solo, sendo o homem de frente do espetáculo, assumindo o papel de vocalista, compondo e lançando suas músicas mais calcadas no blues.

Fazer blues pode parecer uma extravagância musical numa terra em que o consumo desse produto cultural pode ser algo remoto, mas André de Sousa considera que não é a pessoa quem escolher a música, mas a música que escolhe a pessoa. Quando a guitarra passou a fazer parte da vida dele, grandes guitarristas viraram alvo do interesse do músico, que nem sabia bem o que era o blues. Sabia que gostava, era atraído por esse ritmo tão ligado à história afroestadunidense.

Assim, se ouvia uma canção de Caetano Veloso, mais que a voz, se interessava pelos acordes do guitarrista Lanny Gordin (1951-2023) e de outros músicos influenciados em seu trabalho pelo blues. Com o rock, lá estava o blues em Eric Clapton ou Jimmy Page. E esses músicos o levaram a B. B. King e outros gigantes da guitarra no blues. Depois, ondas de inspiração de grandes guitarristas o fizeram seguir em frente fazendo blues.

A paixão pelo blues foi surgindo sem que ele se desse conta, mas sem danos à sua formação com base na música brasileira, no rock e no jazz. Porém, o blues é o que o move, já que considera uma música democrática, que permite perfeita interação com todo e qualquer ritmo e que, por sua matriz africana, conversa com o samba, com o reggae, com o rock.

Em fevereiro de 2025, a revista Revestrés registrou que guitarrista André de Sousa celebrava 30 anos de carreira. Uma celebração que se daria naquele mês, com o lançamento, em todas as plataformas, do compacto “Esse blues é pra você” – mesmo nome  da canção assinada por ele e pelo advogado e escritor Flávio Stambowsky. Assim, contavam-se três décadas de um músico definido na plataforma Souncloud como o melhor expoente da guitarra blues do Piauí e um dos maiores do Nordeste. André também assina composições com Fabio Crazy, da Narguilê Hidromecânico; Daniel Hulk, da banda Roque Moreira, e Roberto Lessa.

No trabalho que celebrou seus 30 anos de carreira, a faixa-título ganhou a participação de Soraya Castelo Branco e ele fez uma nova interpretação para o clássico “Blues para o Brasil”, do bluesman Nuno Mindelis, com presença de naipe de metais. O disco de 30 anos teve ainda seis canções inéditas gravadas.

Dedicado desde 1994 à música, André de Sousa é guitarrista, compositor, arranjador e professor de música que já subiu ao palco com incontáveis artistas e bandas de referência no Brasil e no mundo. Esteve tocando com nomes como Kenny Brown (EUA), Jefferson Gonçalves, Fernando Noronha, Andreas Kisser, Vasco Fae, Donny Nichilo (EUA), Celso Blues Boy, André Matos, Atiba Taylor (EUA), Greg Wilson (Blues Etílicos), Danny Vincent e outros.

Junto aos guitarristas Artur Menezes (CE / EUA), Fernando Noronha (RS) e Fred Sun Walk (SP) participou do Guitar Night, na programação do OI Blues by Night, em Fortaleza (CE).

Participou de todos os festivais importantes de música no Nordeste do Brasil, tendo se apresentado ao lado de grandes nomes do blues nacional. Recentemente foi indicado ao troféu “Celso Blues Boy”, premiação organizada por portal nacional de blues brasileiro, que reconhece grandes músicos que se dedicam ao ritmo.

O músico também foi indicado, por dois anos consecutivos (2020 e 2021), ao maior prêmio do Blues Brasileiro, o HDB Condecora, nas categorias Melhor Guitarrista, Melhor Álbum (Quarentine Tapes), Melhor Single (Popcorn Brain) e Melhor Adaptação (Respeita Januário).

Anos de estrada no blues fazem dele um músico único também por uma característica que o engrandece: gosta de estar e trabalhar junto das pessoas, de exercitar relações interpessoais e musicais que resultam em som bom de embalar sonhos e projetar futuros.

 

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