Abraão Lincoln
Perfil Criativo
ABRAÃO LINCOLN TRAZ A MÚSICA EM SEU DNA
Abraão Lincoln do Carmo Batista tem a música no DNA e isso não é uma afirmação conotativa, mas absolutamente denotativa de uma origem artística por herança genética, reforçada por sua condição de ter nascido e crescido em uma cidade na qual a música fazia parte do cotidiano e da educação, a primeira capital do Piauí, Oeiras.
A música começa já nos primeiros anos de vida, poque ele nasceu em uma família em que o avô era maestro e oito de seus tios eram músicos. Era pelas mãos do avô e dos tios de Abraão Lincoln que o jazz claramente chegava naquele pedaço sertanejo do Piauí, construído pela confluência de culturas portuguesa, negra e indígena.
Assim, não era possível a ele e seu irmão, também músico, Emerson Boy, pudessem escapar ao destino da musicalidade. Parece mesmo impossível fugir à música quando se nasce, se cresce e se começa uma formação escolar em uma cidade com grande tradição musical, em uma família cujo patriarca é um músico.
Abraão Lincoln, assim como seu irmão Emerson Boy, seguiram as trilhas musicais da família, em veredas abertas pelo avô, Benedito Carmo, marceneiro que se fez maestro e conduzia um grupo de músicos que formava a Banda Jazz Arrebenta Rochedo. A veia musical do velho Benedito se espalhou benfazeja pela sua descendência, produzindo gente que ama fazer música.
Assim, no final dos anos 1960, lá estava Abraão abrindo caminho pela densa floresta que é a música, tocando e aprendendo, a ponto de formar, entre 1967 e 1968, juntamente com outros músicos o conjunto musical chamado “Os Falcões”. Só que, para além disso, fez música autoral em parceria com alguns compositores com os quais manteve uma relação bastante produtiva, em Teresina, sobretudo, onde teve participação em festivais de música.
Seus parceiros mais frequentes para compor foram Cruz Neto e Magno Aurélio, cuja vivência musical se entrelaçava muito àquilo que fazia Abraão. Porém, compôs também com Ubiratan Cavalcanti, Durvalino Couto e Osnir Veríssimo, certamente o mais “local” dos compositores do Piauí, por suas escolhas para temas telúricos, sem que abra mão de uma universalidade musical, a mesma que faz Abraão, ousado, ao musicar um poema de seu conterrâneo Benedito Francisco Nogueira Tapety (1890-1918), “Quo ego”, escrito mais de 100 anos atrás, mas com um frescor de atualidade imorrível, já que trata da infinitude do amor romântico, propugnando que a afeição é humana demais para ser casta e demais pura para ser carnaval.
Olhar o passado pode ser um mecanismo ideal para se fazer melhor o agora e neste sentido, Abraão diz admirar Tom Jobim, Carlos Lira, Menescal e Luiz Gonzaga, compositores influentes o bastante para redefinir a música. Note-se que bossa nova e baião são parte da alma do artista, porque essas são expressões musicais clássicas, incapazes de perecer.
A música de Abraão, que vai dos encontros com compositores de Teresina à musicalização de um poema centenário de um conterrâneo oeirense, está registrada em diversos discos – vinis e CDs – em shows das cantoras Rosinha Amorim, Carol Costa e Laurenice França, na voz desconcertantemente bela de Ronaldo Bringel.
Músicas
Composições Inéditas
Rio, Um sonho meu - Abraão Lincoln
Pra lhe Falar a Verdade - Abraão Lincoln